Um relatório divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) aponta um cenário preocupante para a região de Campinas. Enquanto o Brasil registrou sua menor taxa de assassinatos em onze anos, com queda de 7,4%, seis municípios da área metropolitana campineira caminharam na direção oposta.
Crescimento contra a tendência nacional
O Atlas da Violência 2026, apresentado na terça-feira (26), evidencia que as oito principais cidades da região, todas com população superior a 100 mil habitantes, contabilizaram 249 óbitos violentos durante 2024. Este número representa uma elevação de 12,1% no indicador consolidado, contrastando com o movimento nacional de redução da criminalidade letal.
A taxa média de homicídios no conjunto das maiores cidades regionais passou de 7,23 para 7,74 por 100 mil habitantes, demonstrando o agravamento da situação local.
Valinhos lidera disparada nos índices
Entre os municípios analisados, Valinhos registrou o crescimento mais expressivo, com sua taxa saltando de 0,77 para 3,05 por 100 mil habitantes. Esse movimento representa um aumento extraordinário de 296% no período.
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Americana aparece na segunda colocação dos piores desempenhos, com alta de 88% em seus indicadores. Completando o trio das maiores elevações está Sumaré, que registrou crescimento de 28,1% nos homicídios.
Contrapondo essa tendência regional, Mogi Guaçu conseguiu reduzir seus números, apresentando queda de 47% na taxa de assassinatos.
Mortes violentas podem estar subestimadas
Os especialistas responsáveis pelo estudo destacam uma questão metodológica importante: a possível existência de homicídios ocultos nos dados oficiais. Segundo as estimativas, aproximadamente 52 mortes violentas na região de Campinas podem ter tido suas intencionalidades criminosas não identificadas pelos órgãos competentes.
Esses casos acabam sendo inicialmente registrados como óbitos por causas indeterminadas no Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, comprometendo a precisão dos diagnósticos criminais e dificultando a contabilização precisa das agressões fatais.
Tecnologia para aprimorar diagnósticos
Visando corrigir essas distorções nos registros, a pesquisa emprega um modelo computacional fundamentado em aprendizado de máquina. Esta ferramenta calcula a probabilidade de um óbito indeterminado constituir, na realidade, um homicídio.
O sistema analisa múltiplas variáveis das vítimas, incluindo sexo, faixa etária e escolaridade, além de características do incidente como data de ocorrência e instrumento utilizado. Esta abordagem tecnológica busca preencher as lacunas deixadas pelos métodos tradicionais de classificação.
Os pesquisadores esclarecem que as divergências identificadas entre os dados de saúde, suas estimativas e os boletins de ocorrência resultam de entraves técnicos na integração entre sistemas das secretarias estaduais, descartando qualquer intenção deliberada de omissão por parte dos gestores públicos.



