Imóvel construído pelo sertanejo pode ser desapropriado para virar espaço cultural
A administração municipal de Limeira, no interior paulista, tomou uma decisão que pode mudar o destino do icônico castelo construído pelo cantor sertanejo José Rico, da dupla Milionário & José Rico. Na terça-feira (26), foi publicada a declaração de utilidade pública do imóvel, abrindo possibilidade para uma futura desapropriação.
A construção medieval, que há décadas impressiona quem trafega pela Rodovia Anhanguera, representa um marco na cidade e carrega a história de um dos grandes nomes da música sertaneja nacional.
Projeto ambicioso que nunca foi finalizado
O início das obras remonta ao começo dos anos 1990, quando José Rico idealizou uma construção inspirada na arquitetura medieval. O objetivo era criar um espaço familiar de convivência e também instalar um estúdio musical no local.
O artista, que faleceu em 2015 aos 68 anos, não conseguiu ver seu sonho concretizado. Na ocasião de sua morte, o projeto já estava em desenvolvimento há aproximadamente 24 anos, mas permanecia inacabado.
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As proporções do empreendimento chamam atenção: são cerca de 48 mil metros quadrados de terreno, com uma edificação que abriga mais de 100 quartos, torres e elementos arquitetônicos únicos que transformaram o local em um dos pontos mais reconhecidos de Limeira.
Abandono e deterioração da estrutura
Com o tempo, o castelo entrou em processo de abandono. Hoje, a propriedade exibe marcas de degradação, incluindo janelas danificadas, pichações em suas paredes e vegetação que tomou conta de diversas áreas.
Questões judiciais complicam situação do imóvel
Depois do falecimento do cantor, o castelo integrou o espólio familiar e se tornou alvo de disputas na Justiça por conta de dívidas trabalhistas pendentes.
Em janeiro de 2024, a Justiça do Trabalho ordenou a penhora completa da propriedade, que recebeu avaliação de R$ 15,1 milhões. Anteriormente, várias tentativas de comercialização foram feitas sem êxito.
Entre as iniciativas fracassadas estavam:
- Leilão de uma fração correspondente a 21% do imóvel
- Avaliação desta parcela em R$ 3,2 milhões
- Tentativa de venda integral da área em 2023
Nenhuma dessas ações atraiu compradores interessados.



A ausência de propostas levou a Justiça a optar pela penhora total do bem, abandonando a estratégia de venda parcial. Em 2024, Moysés Rico, filho do cantor, confirmou que os leilões foram finalizados sem receber qualquer oferta.
Planos futuros para preservação e uso cultural
A declaração de utilidade pública permite à Prefeitura de Limeira estudar alternativas para preservar o castelo e convertê-lo em um espaço dedicado à cultura e ao turismo local.
O município esclarece que a medida não garante desapropriação imediata. Primeiro, a administração pretende:
- Conduzir estudos técnicos detalhados
- Examinar as condições estruturais atuais
- Calcular os investimentos necessários
- Verificar a viabilidade econômica do projeto
Apenas após essa análise será definido o método para uma possível desapropriação, seja através de negociação administrativa ou processo judicial.
Se os planos se concretizarem, o local poderá abandonar décadas de deterioração e ganhar nova vida como atrativo cultural, preservando a memória de José Rico e beneficiando Limeira e toda a região.

Perguntas frequentes
O que significa a declaração de utilidade pública do castelo de José Rico?
A declaração de utilidade pública é uma medida da Prefeitura de Limeira que abre a possibilidade de desapropriação do imóvel. Ela não garante a desapropriação imediata, mas permite ao município estudar alternativas para preservar e transformar o castelo em um espaço cultural e turístico.
Por que o castelo nunca foi concluído?
José Rico iniciou a construção no começo dos anos 1990 com o objetivo de criar um espaço familiar e instalar um estúdio musical. O cantor faleceu em 2015, após cerca de 24 anos de obras, sem ver o projeto finalizado.
Qual é a situação jurídica do imóvel?
Após a morte de José Rico, o castelo passou a integrar o espólio familiar e se tornou alvo de disputas judiciais por dívidas trabalhistas. Em janeiro de 2024, a Justiça do Trabalho determinou a penhora total da propriedade, avaliada em R$ 15,1 milhões, após tentativas de venda e leilão não atraírem compradores.
Quais são os próximos passos da Prefeitura de Limeira?
Antes de decidir pela desapropriação, o município pretende realizar estudos técnicos para avaliar as condições estruturais do castelo, calcular os investimentos necessários e verificar a viabilidade econômica do projeto. Somente após essa análise será definido o caminho, seja por negociação administrativa ou processo judicial.
Qual é o tamanho do castelo de José Rico?
O terreno tem cerca de 48 mil metros quadrados. A edificação conta com mais de 100 quartos, torres e elementos arquitetônicos inspirados na arquitetura medieval, tornando o local um dos pontos mais reconhecidos de Limeira e visível da Rodovia Anhanguera.



